Social English e Academic English, você sabe a diferença?

learn a language

Social English é o “inglês do dia a dia”,o inglês que usamos em nossa comunicação diária seja ela oral ou escrita.É a linguagem que utilizamos,por exemplo, para fazer uma lista de compras ou em uma conversa informal com os amigo ou que as crianças utilizam quando estão brincando.Por outro lado, o Academic English é uma linguagem mais complexa, mais elaborada. É o inglês que precisamos para acompanhar e participar com sucesso das aulas. Está diretamente relacionado ao currículo e aos conteúdos de Matemática, História, Ciências,Geografia,etc. e, embora não devam ser vistos como duas linguagens diferentes, é importante ressaltar que um indivíduo pode se comunicar muito bem em inglês e mesmo assim não apresentar uma proficiência acadêmica necessária na língua.

Ok, você pode achar que eu estou sendo exigente de mais ou que tudo isso não passa de um preciosismo,mas a verdade não é bem assim. E fato é que acredito que se pensássemos mais nestas questões talvez estivéssemos ensinando melhor nossos alunos. É muito fácil, principalmente para as crianças, começar a falar um idioma.. Bastam alguns meses de aula para que a maioria das pessoas já esteja se comunicando em inglês. Entretanto,levará alguns anos para que esta mesma pessoa ou criança possa desenvolver completamente outras habilidades como leitura, compreensão oral, escrita, etc.

O mesmo ocorre com o que chamamos de linguagem acadêmica. O objetivo de uma escola bilíngue não é ensinar os alunos apenas a falarem em inglês. Aprender a se comunicar em inglês é apenas a ponta do iceberg. Formar alunos academicamente proficientes em inglês e em Português, este sim é o principal objetivo destes programas ( ou pelo menos deveria ser). Só porque as crianças são capazes de se relacionar com outros colegas em inglês, brincar no playground ou se expressar em inglês no seu dia a dia escolar,não significa que eles sabem redigir um texto,ou os termos básicos da adição,que são capazes de utilizar os termos apropriados para conectar partes de um experimento científico ou mesmo compreender o contexto e a importância de uma celebração como ‘Thanksgiving”

Compreender isto faz toda a diferença, seja para a escola que tendo em mente estes aspectos poderá selecionar melhor seus professores, ou mesmo para o professor que poderá escolher melhor a estratégia a ser utilizado com cada grupo. Sim, é isso mesmo.O professor precisa planejar suas aulas pensando em cada um dos seus alunos. E no caso da educação bilíngue, onde os alunos estarão aprendendo uma nova língua, este aspecto se faz até mais importante. Vamos tomar como exemplo uma aula de inglês em uma escola bilíngue:

Para os alunos brasileiros, que não possuem o inglês como primeira língua, o trabalho com vocabulário é extremamente importante. Um falante nativo inicia o Kindergarten (5 anos aproximadamente) conhecendo em média 5.000 palavras. Nossos filhos e alunos brasileiros provavelmente também conhecem em torno de 5.000 palavras em sua língua materna,mas apenas algumas poucas palavras em inglês. Como podemos então querer utilizar as mesmas estratégias para ensinar ambos os grupos? O mesmo acontece com as escolas/programas que se recusam a introduzir ou trabalhar com os fonemas ao introduzir o inglês ou que se limitam apenas a trabalhar o “nome das letras” e o alfabeto e não seus sons correspondentes. Como se a criança que está aprendendo a nova língua pudesse dominar todas estas estruturas e peculiaridades que não fazem parte do seu contexto ,sem que ela seja apresentada formalmente as mesmas.

Um aluno brasileiro que esteja cursando o kindergarten ou a Grade 2 em uma escola bilíngue brasileira, não pode ser visto da mesma forma que um aluno americano, canadense, australiano(países onde o inglês é a primeira língua) da mesma idade,cursando a mesma série em uma escola no seu país de origem. Eles podem até realizar o mesmo tipo de atividade, mas os professores estarão necessariamente lançando mão de estratégias diferente. O procedimento é o mesmo de quando recebemos alunos estrangeiros em nossas escolas,onde as estratégias utilizadas para que esse aluno aprenda o português serão diferentes daquelas usadas com os alunos brasileiros.

Muito mais importante do que o sotaque do professor ( se ele é “native or native like speaker” como gostam de propagar algumas escolas) é que ele pronuncie as palavras e ensine corretamente seus alunos.Muito mais importante do que utilizar apenas materiais importados, é que este material seja adaptado a realidade dos nossos alunos.Muito mais importante do que ter professores com “vivência no exterior” ,é ter professores academicamente competentes.

Saber uma língua pode ser muito diferente de ensinar uma língua.

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