Sou bilíngue, e daí?

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Ao contrário do que a grande maioria pensa ser bilíngue não é nenhum fenômeno excepcional . Na verdade, Grosjean (1982) afirma que aproximadamente metade da população mundial é bilíngue, o que por si só já tornaria o fato bastante comum. Mas por que esse assunto ainda gera tanta polêmica, resistência e confusão?

1) A questão toda ainda é muito recente, principalmente no Brasil onde embora coexistam mais de 180 línguas indígenas e cerca de 30 outras línguas provenientes de situações de imigração e fronteiras, optamos por ignorar completamente esta condição e nos autodeclara um país monolíngue.

2) Ser bilíngue não significa necessariamente ser “ambilíngue”. Melhor dizendo, ainda tem-se a ideia de que o individuo bilíngue é aquele que tem competência nativa em duas línguas. É como se estas pessoas tivessem que compreender, ler,falar e escrever em ambas as línguas com a mesma proficiência. Mas a verdade é que são poucas as pessoas capazes de utilizar mais de uma língua igualmente. Seja por que adquiriram uma língua mais completamente do que a outra ou mesmo porque utilizam uma língua mais do que a outra.

3) Bilingualismo é diferente de Bilingualidade. De modo geral, bilinguismo diz respeito a a uma situação onde coexistem duas línguas como meio de comunicação; enquanto que bilingualidade refere-se aos diferentes estágios, fases ou níveis ( competência, fluência) que os bilíngues atravessam durante sua vida (Savedra ,1994).

4) Code-switching, não significa misturar as duas línguas aleatoriamente. Luciana Lessa,PhD, do blog brasileirinhos, explica muito bem esse fenômeno e as regras que o permeiam. Segunda ela, É importante destacar que o code-switching não corresponde a ausência de regras no uso de duas línguas, ou seja, não é uma bagunça que cada pessoa fala como bem entende. Pessoas bilíngues fazem isso dentro de alguns contextos, que podem variar de acordo com quem a pessoa está conversando, a situação da conversação,por não encontrarem uma palavra que traduza com exatidão o que elas querem dizer..o fato é que o bilíngue não está falando aleatoriamente as palavras desta ou daquela língua,ele conhece, respeita as regras e mantém uma estrutura que não fere os princípios gramaticais.

5) Quanto mais cedo melhor! Sim, claro. “Poucas pessoas que aprendem ou adquirem uma segunda língua mais tardiamente, após a infância, dominam completamente o seu sistema sonoro” ( MYERS-SCOTTON,2006). Mas isto não quer dizer que estes indivíduos não possam falar com muita fluência e ter um extenso vocabulário. Será que só por isso não podem ser considerados bilíngues ?

Gosto de pensar na ideia de que assim como existem diversos tipos de bilinguismo ( imersão, adição…),existem diversos tipos de indivíduos bilíngues. E que criar/educar um filho bilíngue deve ser sempre uma opção da família que deve procurar se informar e escolher o melhor modelo que se adapte a sua realidade e a realidade de seu filho. Não existe um único modelo correto. Temos ótimas escolas não-bilíngues e péssimas escolas não-bilíngues. Assim como temos ótimas escolas bilíngues e péssimas escolas bilíngues. O fato de uma escola se autodeclarar bilíngue não faz dela, por si só, uma excelente escola ou uma escola diferenciada.

Nesse momento em que vivemos um “boom” de escolas ditas bilíngues e em uma época onde todos os pais querem simplesmente a ” melhor escola” para seus filhos,fica a dica de que a melhor escola é aquela que mais se adapta a sua realidade e aquela que possui um currículo coerente, professores bem formados e bem informados,além é claro de gestores competentes.

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