Reflexões para um Novo Ano Letivo

volta as aulas

Um dos grandes problemas que o Brasil enfrenta para participar da sociedade globalizada do século 21 é o nosso gritante despreparo no domínio do idioma universal de hoje, o inglês. De acordo com o EF English Proficiency Index (EF EPI) de 2012, o Brasil está na 46ª posição em um ranking que considera 54 países, ficando atrás de Argentina (o melhor colocado na região, único com “proficiência moderada” no continente, e em 20º lugar no ranking geral), Uruguai, Peru, Costa Rica, México, Chile, Venezuela, El Salvador e Equador.
Para piorar, Um estudo do site Vagas.com mostrou que mostra que só 36% do grupo que se declara fluente tem realmente habilidades com a língua estrangeira. Vários fatores contribuem para o fraco desempenho do povo brasileiro. Outro relatótio, agora do EF EPI (EF English Proficiency Index) sugere ainda que a qualidade do inglês falado interfere nas condições econômicas.
A baixa proficiência dos alunos ao final do ensino médio no idioma ,depois de vários anos de estudo talvez seja uma das razões para explicar o boom de escolas e programas bilíngues na educação infantil, principalmente nos grandes centros. Afinal, quanto mais cedo os alunos forem expostos ao 2º idioma, melhor. Entretanto, o alto custo das mensalidades nos chamados “programas bilíngues” e a falta de orientação têm contribuído para transformar a aprendizagem da 2ª língua em um fator de exclusão cada vez maior. De olho neste novo “filão educacional” vemos muitos cursos de idiomas investindo alto no acabamento e na aparência do material didático destinado as turmas de educação infantil e ensino fundamental I, mas com conteúdos pedagógicos muitas vezes aquém e outras além do desenvolvimento das crianças. Na verdade, não existe segredo e as crianças aprendem uma segunda língua da mesma maneira que aprendem a língua materna: ouvindo, experimentando, utilizando nas situações do dia a dia, lendo e escrevendo, mas tudo a seu tempo. É preciso dar a criança o direito e o tempo de construir, desconstruir, reconstruir e formular novas hipóteses .
Quando fui convidada para integrar a equipe que desenvolveria o material BumbleBee o que mais me encantou foi a proposta e a possibilidade de desenvolver um material:
• De baixo custo – o Sistema Educacional BumbleBee não cobra mensalidade alguma às escolas que adotam o programa;
• Acessível a todos os alunos da escola – o programa não é implantado fora da grade curricular;
• Centrado no aluno;
• No seu desenvolvimento;
• E na formação continuada do professor

. Em um país com tantas desigualdades, confesso que ter a oportunidade de não só ensinar uma 2ª língua, mas trabalhar em um projeto capaz de gerar oportunidades e diminuir a desvantagem das pessoas na medida em que nós qualificamos e sabemos que estes alunos vão chegar ao mercado de trabalho em condições iguais, e lá na frente terão condições de pleitear uma vaga de trabalho igualmente como qualquer outro e sem a barreira do idioma, é um privilégio. O trabalho é duro. Convencer pais e diretores de que o que garante o aprendizado não é a figura colorida, a capa bonita, o desenho pronto ou a cartela de adesivos é tarefa árdua. Explicar que para que o material seja acessível a todos é preciso deixar de lado a “sacola personalizada” ou a “camisa brinde” e investir no conteúdo e no trabalho com um portfólio individual, na formação e no suporte ao professor e em uma plataforma de educação a distância que prevê a disponibilização de atividades e jogos para download, fórum de professores, é algo que leva tempo.
Fácil é perceber que este tempo tem sido companheiro, corrido ao nosso lado e nos colocado em contato com muita gente boa, disposta a realmente investir em uma educação de conteúdo ao invés de uma educação de aparência. Difícil é ver que o reconhecimento vem muitas vezes mais fácil de longe do que daqueles que estão perto. Surpresa notar o quanto as escolas ainda estão arraigadas a modelos ultrapassados. E prazer é participar de todo este movimento de transformação de uma sociedade.
“A Educação não muda o mundo. Educação muda as pessoas. Pessoas mudam o mundo”.

Paulo Freire

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