Os PCNs e o Ensino de Língua Estrangeira :quando a teoria não serve à prática!

Os Parâmetros Curriculares Nacionais para o 3º e 4º ciclo afirmam que o ensino da Língua Inglesa, como o de outras disciplinas, é função da escola, e é lá que deve ocorrer. Diz ainda que “A inclusão de uma área no currículo deve ser determinada, entre outros fatores, pela função que desempenha na sociedade” e que “… somente uma pequena parcela da população tem a oportunidade de usar línguas estrangeiras como instrumento de comunicação oral, dentro ou fora do país. Mesmo nos grandes centros, o número de pessoas que utilizam o conhecimento das habilidades orais de uma língua estrangeira em situação de trabalho é relativamente pequeno. Deste modo, considerar o desenvolvimento de habilidades orais como central no ensino de Língua Estrangeira no Brasil não leva em conta o critério de relevância social para a sua aprendizagem”. Por isso o ensino de língua estrangeira deve focar nas habilidades de leitura e blá, blá, blá.
Semana passada fui convidada para auxiliar alguns alunos na tradução de um curso para a área de petróleo, gás e offshore. O motivo era que o curso de atualização para os profissionais, que exigia apenas o ensino médio completo, era todo ele ministrado por americanos e canadenses, assim como o material de estudo.
Não é novidade para ninguém que este mercado está em alta e, com salários em torno de 7 a 10 mil, vem atraindo cada vez mais profissionais. A ideia inicial era apenas auxiliar os alunos, esclarecer alguns aspectos e ajudá-los principalmente na elaboração de suas perguntas aos instrutores. Entretanto, um fato ocorrido logo no primeiro dia de curso chamou minha atenção e me fez questionar a seriedade dos PCNs para o ensino de língua estrangeira. No primeiro dia de aula foi entregue por um dos instrutores aos alunos um formulário que deveria ser preenchido com os dados pessoais. O tal formulário se limitava a perguntar questões básicas e de múltipla escolha (exceção aos campos destinados ao nome e sobrenome).
O problema surgiu logo na primeira pergunta: () Mr. ( ) Mrs. ( ) Ms. A questão a seguir deveria ser completada com name, middle name e last name. Grande parte, para não dizer a maioria quase que esmagadora simplesmente não sabia o que responder em ambas as questões. Por alguns segundos fiquei em choque e me veio à cabeça todo o discurso lindo dos PCNs, a polêmica questão das cotas, a formação de nossos professores.
O ensino de língua estrangeira é introduzido nas escolas de forma obrigatória a partir do 6º ano do ensino Fundamental II e prossegue até o último ano do ensino médio. Mesmo com a opção do Espanhol, a Língua Inglesa é dominante. Agora façam as contas: um aluno passa 4 anos no Ensino Fundamental II e mais 3 anos no Ensino Médio, totalizando 7 anos de exposição à Língua Inglesa, e não sabe sequer responder as questões acima? E olha que estamos falando de profissionais capacitados, com experiência e que conseguiram encontrar seu lugar no mercadão. Se não foram os melhores alunos, com certeza também não fazem parte das estatísticas de evasão.
Mas triste ainda é saber que na rede particular o resultado também não é assim tão diferente, o que obriga àqueles que podem a complementar o aprendizado matriculando os filhos em cursos de idiomas e mais tarde enviando-os para programas de intercâmbio.
O mundo mudou. De que adianta abrirmos as porteiras das Universidades e não investirmos em uma educação básica de qualidade. De que adianta dizermos que a escolaridade da população está aumentando e que num futuro próximo no Brasil todos terão acesso à Universidade, se não garantirmos a todos o direito de concorrer em condições de igualdade por uma vaga no mercado de trabalho. Até quando vamos tapar o sol com a peneira? Até quando vamos desperdiçar o dinheiro pago com nossos impostos?
Ofélia Garcia defende a educação bilíngue como o único modelo de educação possível no Sec.XXI. Compartilho de suas ideias e aproveito que estamos em época de eleição para lançar a questão e abrir espaço no blog a todos os candidatos que quiserem responder a questão e esclarecer o que pretendem fazer para que nossos alunos cheguem ao final do Ensino médio sem terem desenvolvido as competências necessárias em uma língua estrangeira. Competências estas que, diga-se de passagem, estão muito longe de se limitarem a leitura.

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