HISTÓRIA DA INCLUSÃO NA CATAVENTO ESPAÇO DE EDUCAÇÃO

Por Claudia Costa e Rita de Cássia Melo *

Em 1981 nasce a Catavento Espaço de Educação, inicialmente com o atendimento focado na Educação Infantil, ampliando posteriormente até o 5º ano do Ensino Fundamental. Sua filosofia se baseia na concepção de Heloísa Marinho, educadora brasileira, aluna de Gesel na década de 30, que desde então define sua filosofia de trabalho em educação, baseada em preceitos de inclusão escolar e de observação e respeito ao tempo individual de desenvolvimento da criança para o desenvolvimento de seu potencial global.

No currículo pedagógico da Catavento um dos pressupostos mais evidenciado é a importância do olhar da escola ser desprovido de conhecimento prévio sobre as crianças, esclarecendo que a função do educador é principalmente aprender a partir da observação e interação com a criança, sendo esta aprendizagem o fio condutor do processo de trabalho em educação com os pequenos.

Concluímos que a CATAVENTO é uma escola inclusiva desde seu nascimento.

Aprofundando a questão… O que é uma escola inclusiva? Será uma escola que atende a pessoas deficientes?

Pensamos que a resposta mais completa é: Escola inclusiva é a que acolhe e desenvolve trabalho com TODAS as crianças em suas diferenças individuais, atendendo às necessidades específicas, despertando e explorando a capacidade e o potencial de cada um. Aprender a reconhecer aquilo que é importante para cada um, formar o vínculo, para depois poder propor atividades mais formais. Sem a construção do vínculo, nenhum aprendizado se processa, entretanto, é preciso ter cuidado nessa relação que se constrói, para não repetirmos equívocos das relações já existentes para esse sujeito.

O educador deve ter um olhar ingênuo, despido de “pré conceitos”, e ao mesmo tempo atento, investigador, observador e comprometido com sua prática pedagógica.

Os registros individuais no cotidiano, o aparelhamento adequado, a formação e intervenção do educador, a troca contínua entre os membros da equipe com família e profissionais técnicos coletando dados que se agregam ao trabalho, sem aprisionar, são ingredientes indispensáveis para que a evolução do desenvolvimento da criança/aluno seja plena. Entendemos que a aprendizagem se constrói a cada dia de acordo com o tempo e a possibilidade de cada indivíduo.

ALGUNS CRITÉRIOS PARA UM TRABALHO DE INCLUSÃO DE QUALIDADE

Ao receber a visita de uma família de criança deficiente, com síndromes ou transtornos de comportamento, que tenha interesse em matriculá-la, a escola agenda uma entrevista com a presença da criança, dos responsáveis, da Direção e Coordenação Pedagógicas, e da Psicologia para uma primeira avaliação do seu desenvolvimento nos diferentes aspectos: motor, interação, linguagem e autonomia principalmente.

Depois deste primeiro contato, a equipe técnica pode definir com maior clareza qual seria o grupo de convivência da criança de acordo com sua idade cronológica e de desenvolvimento, avaliando a necessidade de um apoio específico feito por um mediador=educador auxiliar. Quando a criança tem bastante autonomia para diversas situações, o ideal é que receba o apoio do professor e do auxiliar da turma.
O PAPEL DO MEDIADOR
• Formar vínculo com a criança, construindo uma relação de confiança e fazendo-a se sentir segura no ambiente escolar;
• Favorecer a interação da criança com os colegas do grupo e com os adultos que compõem a equipe da escola;
• Apoiar e incentivar a sua participação em todas as atividades que fazem parte da rotina escolar: roda de boas vindas, aula de capoeira, ensaios para festas…
• Estimular a construção da autonomia para atividades da rotina diária;
• Apoiar a aprendizagem da criança, construindo seu plano individual de trabalho, a partir das orientações recebidas da equipe técnica da escola e dos profissionais da área clínica que fazem o acompanhamento fora do ambiente escolar.

O mediador é uma figura importante, mas certos cuidados são necessários nessa relação. A mediação deve ser sempre feita pelo professor da turma em parceria com um profissional contratado pela escola, que passa a fazer parte da equipe na função de auxiliar, e será orientado pelo professor e pela equipe técnica. A proteção excessiva e a permanência de um mesmo educador auxiliar com um aluno especial durante mais de um ano letivo seguido pode gerar acomodação no aluno, ou uma demanda de apoio por parte da família para além do trabalho pedagógico, com consequente desaceleração no processo de crescimento.

Reuniões periódicas com os profissionais especializados que acompanham estas crianças (psicólogo, fonoaudiólogo, fisioterapeuta, terapeuta ocupacional, psicopedagogo) devem ser sistematizadas para receber orientação e fazer trocas sobre o encaminhamento do trabalho. Caso a criança não esteja sendo acompanhada por nenhum profissional da área clínica, a equipe técnica da escola deve se reunir para discutir as necessidades específicas e encaminhar junto à família para avaliação.

Direção e Coordenação pedagógica podem usar as reuniões semanais de coordenação sobre o planejamento do trabalho pedagógico para fazer reflexões com o professor. Os materiais, as rotinas e as estratégias serão construídas de acordo com as necessidades e possibilidades de cada criança. Não é recomendado enrijecer num único formato de Proposta Pedagógica para atender crianças com deficiências. Pelo contrário, além do conhecimento técnico, a observação e a sensibilidade são fundamentais para a obtenção de bons resultados. Muitas vezes, é necessário reformular os planejamentos e mudar completamente a estratégia ou o tipo de estímulo que está sendo oferecido. A própria criança vai indicando o caminho.

Para garantir o trabalho de inclusão e evitar a formação de classes de crianças especiais, inclusive com excesso de adultos por grupo, procura-se ter no máximo duas ou três matrículas de alunos especiais por grupo, dependendo do grau de comprometimento das deficiências que envolvem os alunos candidatos. O ambiente para crescimento deve preponderar. A eficiência para o trabalho em sala deve ser o primeiro ponto a ser garantido pela equipe técnica da escola.

“DIFERENCIAR O ENSINO NÃO É INTRODUZIR A DIFERENÇA, MAS DOMINAR A INDIVIDUALIZAÇÃO DOS PERCURSOS.” (PERRENOUD, 1996)

* Claudia Costa,presidente do SINEPE RJ e diretora da Catavento Espaço de Educação
Rita de Cássia Melo, psicóloga na Catavento Espaço de Educação

5 comentários (+add yours?)

  1. Sônia Caldas Pessoa
    Abr 08, 2012 @ 20:54:54

    Parabéns pelo texto! É raro ver algo tão claro sobre educação inclusiva e posturas pró-ativas das escolas. Tomei a liberdade de reproduzir parte dele no meu blog tudobemserdiferente.wordpress.com. Abraço, Sônia Pessoa (serdiferente.tudobem@gmail.com).

    Responder

  2. Trackback: O que é uma escola inclusiva? | Tudo Bem Ser Diferente
  3. Aline Santos
    Abr 09, 2012 @ 12:51:57

    Olá, pessoal!

    Também quero parabenizá-los pelo texto. Faço parte do Instituto Rodrigo Mendes e temos um novo projeto dedicado à produção de conhecimento e troca de experiências em relação à educação inclusiva: DIVERSA (http://diversa.org.br).

    Acreditamos que a propagação de boas práticas no campo da inclusão, pode inspirar outros educadores na construção de uma educação brasileira efetivamente inclusiva.

    Um abraço,
    Aline Santos

    Responder

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